CINEMA ÉPICO DE MANOEL DE OLIVEIRA, O
Ao afirmar que “tudo o que não é a vida é teatro”, Manoel de Oliveira sublinha a dimensão de “espetáculo” que constitui a existência humana, ou seja, a possibilidade que ela oferece de ser olhada, interpretada e, se não compreendida, pelo menos interrogada e acolhida. A condição dessa leitura, desse diálogo entre o artista que olha e a realidade que se dá a ver, reside, segundo o cineasta, na necessidade da encenação, da composição “teatral” do mundo segundo ritos e códigos que façam emergir, no ser misterioso e inefável das coisas, o seu significado possível e tangível. É, pois, uma certa visão do mundo – para além de uma específica forma de representação – aquilo que nos oferece o cinema “teatralizado” de Oliveira, uma visão necessariamente codificada e não “resolvida”, onde as imagens são a presença fantasmagórica e atraente do invisível, o seu registo volátil e interpelador. Jean Luc Godard disse que só há dois tipos de cinema, o documentário realista e o teatro, e que ao mais alto nível, no caso dos grandes realizadores, eles são uma e a mesma coisa. Ao defender que “o artista avança no sentido da verdade, mas relata a ficção, isto é, o que imagina”, Oliveira confirma o valor autenticamente criativo dessa fusão entre realidade e encenação, assim esclarecendo boa parte daquilo que o move como cineasta.
Dada a sua longa experiência nos âmbitos dramatúrgico e cinematográfico, bem como a obstinada investigação e o permanente zelo na exploração da obra do mestre, Renata Soares Junqueira é a voz ideal para nos orientar no aprofundamento dos mecanismos, significados e implicações dos complexos códigos épicos e teatrais – de raiz brechtiana e não só – que enformam a produção de Manoel de Oliveira. A publicação de O Cinema Épico de Manoel de Oliveira constitui, por isso, um importante marco nos estudos oliveirianos, ao sistematizar o conhecimento de uma dimensão inalienável dessa obra, abrindo novas e fecundas pistas de leitura sobre o realizador português, artista de génio inesgotável e provocador, impossível de encerrar entro de quaisquer fronteiras formais, ideológicas ou estéticas.

MARIA DO ROSÁRIO LUPI BELLO
Universidade Aberta de Portugal

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ISBN: 9788527311298
Autor: Renata Soares Junqueira
Número de páginas: 216
Coleção: Estudos 359
Dimensões: 12,5 cm x 22,5 cm
Peso: 0.306 kg
CINEMA ÉPICO DE MANOEL DE OLIVEIRA, O
R$49,90
Quantidade
CINEMA ÉPICO DE MANOEL DE OLIVEIRA, O R$49,90
Ao afirmar que “tudo o que não é a vida é teatro”, Manoel de Oliveira sublinha a dimensão de “espetáculo” que constitui a existência humana, ou seja, a possibilidade que ela oferece de ser olhada, interpretada e, se não compreendida, pelo menos interrogada e acolhida. A condição dessa leitura, desse diálogo entre o artista que olha e a realidade que se dá a ver, reside, segundo o cineasta, na necessidade da encenação, da composição “teatral” do mundo segundo ritos e códigos que façam emergir, no ser misterioso e inefável das coisas, o seu significado possível e tangível. É, pois, uma certa visão do mundo – para além de uma específica forma de representação – aquilo que nos oferece o cinema “teatralizado” de Oliveira, uma visão necessariamente codificada e não “resolvida”, onde as imagens são a presença fantasmagórica e atraente do invisível, o seu registo volátil e interpelador. Jean Luc Godard disse que só há dois tipos de cinema, o documentário realista e o teatro, e que ao mais alto nível, no caso dos grandes realizadores, eles são uma e a mesma coisa. Ao defender que “o artista avança no sentido da verdade, mas relata a ficção, isto é, o que imagina”, Oliveira confirma o valor autenticamente criativo dessa fusão entre realidade e encenação, assim esclarecendo boa parte daquilo que o move como cineasta.
Dada a sua longa experiência nos âmbitos dramatúrgico e cinematográfico, bem como a obstinada investigação e o permanente zelo na exploração da obra do mestre, Renata Soares Junqueira é a voz ideal para nos orientar no aprofundamento dos mecanismos, significados e implicações dos complexos códigos épicos e teatrais – de raiz brechtiana e não só – que enformam a produção de Manoel de Oliveira. A publicação de O Cinema Épico de Manoel de Oliveira constitui, por isso, um importante marco nos estudos oliveirianos, ao sistematizar o conhecimento de uma dimensão inalienável dessa obra, abrindo novas e fecundas pistas de leitura sobre o realizador português, artista de génio inesgotável e provocador, impossível de encerrar entro de quaisquer fronteiras formais, ideológicas ou estéticas.

MARIA DO ROSÁRIO LUPI BELLO
Universidade Aberta de Portugal

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ISBN: 9788527311298
Autor: Renata Soares Junqueira
Número de páginas: 216
Coleção: Estudos 359
Dimensões: 12,5 cm x 22,5 cm
Peso: 0.306 kg