“Li a tese de Fernando Marques (dramaturgo de Brasília, autor de Zé, adaptação
de Woyzeck, de Büchner) sobre o teatro [musical e] político no Brasil de 1964 a 1979.
Gostei muito.”
Sábato Magaldi, historiador e crítico de teatro,
durante entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.
“O livro de Fernando Marques chega em momento de retorno do teatro musical
aos palcos brasileiros, embora com formato e intenção diversos dos de seus
antecessores — o teatro de revista e o de contestação política —, mas com afluência
de público e prestígio renovados, reatualizando-se ainda a iminente necessidade de
especialização de atores e técnicos.
Que relações este revival do teatro musical guarda com o momento de predomínio
das revistas no Brasil, na passagem do século XIX para o XX, e o que aprendeu
(e esqueceu) das peças de viés político produzidas no insuportável calor da hora, em
reação ao regime de exceção implantado no país após 1964? São questões que este
trabalho ambicioso ajuda a pensar.
O recorte histórico privilegiado no livro são os 15 anos do período mais duro da
ditadura militar no Brasil — de 1964 a 1979 —, momento em que o teatro, sobretudo
no eixo Rio-São Paulo, assume papel de destaque na luta contra o regime e a censura.
O autor constrói pontes promissoras entre certa tendência não realista do Teatro
de Arena e uma linhagem que remonta às revistas, com suas cenas epicamente
recortadas e libertas das amarras realistas. Também de forma criativa e instigante,
mostra como os musicais políticos do Opinião, em outra vertente, vão beber em fontes
da cultura popular, apropriando-se de elementos da tradição, como cordel, bumba
meu boi, carnaval ou mamulengo. Ao mesmo tempo, a vanguarda do teatro político
internacional, com Piscator e Brecht, era recorrentemente mobilizada.
Do amplo panorama analítico sobre textos dramáticos e encenadores (ao menos
oito peças/encenações são privilegiadas pelo trabalho), emerge outro painel, de igual
interesse, que é o da crítica produzida sobre esses espetáculos, no momento de
seu aparecimento ou posteriormente. Desde os anos 1940, o surgimento de uma
dramaturgia efetivamente brasileira foi exigindo a conformação de uma nova crítica,
igualmente antenada a essas tentativas de configuração de um sistema teatral
brasileiro e ao que acontecia no exterior (com reflexos no país).
Fernando Marques sabe fazer uso desse importante arsenal crítico-conceitual,
tendo a sensibilidade de perceber como a teoria importada precisa ser aclimatada
à produção local a fim de poder servir, de fato, como ferramenta para o trabalho de
análise.
A contribuição deste livro para área ainda tão pouco contemplada fica, assim,
evidente.”
Gilberto Figueiredo Martins,
ensaísta e professor de Teoria da Literatura da Unesp (Assis/SP).

--

ISBN: 9788527310192
Autor:  Fernando Marques 
Páginas: 320
Ano de publicação: 2014
Peso: 0,894 kg
Dimensões: 22 x 15 x 0 cm

COM OS SÉCULOS NOS OLHOS: TEATRO MUSICAL NO BRASIL DOS ANOS 1960 E 1970
R$74,90
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“Li a tese de Fernando Marques (dramaturgo de Brasília, autor de Zé, adaptação
de Woyzeck, de Büchner) sobre o teatro [musical e] político no Brasil de 1964 a 1979.
Gostei muito.”
Sábato Magaldi, historiador e crítico de teatro,
durante entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.
“O livro de Fernando Marques chega em momento de retorno do teatro musical
aos palcos brasileiros, embora com formato e intenção diversos dos de seus
antecessores — o teatro de revista e o de contestação política —, mas com afluência
de público e prestígio renovados, reatualizando-se ainda a iminente necessidade de
especialização de atores e técnicos.
Que relações este revival do teatro musical guarda com o momento de predomínio
das revistas no Brasil, na passagem do século XIX para o XX, e o que aprendeu
(e esqueceu) das peças de viés político produzidas no insuportável calor da hora, em
reação ao regime de exceção implantado no país após 1964? São questões que este
trabalho ambicioso ajuda a pensar.
O recorte histórico privilegiado no livro são os 15 anos do período mais duro da
ditadura militar no Brasil — de 1964 a 1979 —, momento em que o teatro, sobretudo
no eixo Rio-São Paulo, assume papel de destaque na luta contra o regime e a censura.
O autor constrói pontes promissoras entre certa tendência não realista do Teatro
de Arena e uma linhagem que remonta às revistas, com suas cenas epicamente
recortadas e libertas das amarras realistas. Também de forma criativa e instigante,
mostra como os musicais políticos do Opinião, em outra vertente, vão beber em fontes
da cultura popular, apropriando-se de elementos da tradição, como cordel, bumba
meu boi, carnaval ou mamulengo. Ao mesmo tempo, a vanguarda do teatro político
internacional, com Piscator e Brecht, era recorrentemente mobilizada.
Do amplo panorama analítico sobre textos dramáticos e encenadores (ao menos
oito peças/encenações são privilegiadas pelo trabalho), emerge outro painel, de igual
interesse, que é o da crítica produzida sobre esses espetáculos, no momento de
seu aparecimento ou posteriormente. Desde os anos 1940, o surgimento de uma
dramaturgia efetivamente brasileira foi exigindo a conformação de uma nova crítica,
igualmente antenada a essas tentativas de configuração de um sistema teatral
brasileiro e ao que acontecia no exterior (com reflexos no país).
Fernando Marques sabe fazer uso desse importante arsenal crítico-conceitual,
tendo a sensibilidade de perceber como a teoria importada precisa ser aclimatada
à produção local a fim de poder servir, de fato, como ferramenta para o trabalho de
análise.
A contribuição deste livro para área ainda tão pouco contemplada fica, assim,
evidente.”
Gilberto Figueiredo Martins,
ensaísta e professor de Teoria da Literatura da Unesp (Assis/SP).

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ISBN: 9788527310192
Autor:  Fernando Marques 
Páginas: 320
Ano de publicação: 2014
Peso: 0,894 kg
Dimensões: 22 x 15 x 0 cm