Dizia um dos maiores poetas hebreus modernos, Haim Nákman Biálik, que ler uma obra poética em outra língua é como beijar a noiva através do véu. A única maneira de atenuar, antes do que anular, os efeitos mais distanciadores de semelhante interposição é a que fornece um texto transcriativo capaz de repor no idioma de chegada o vigor literário e o imaginário de origem. Sob este aspecto a tragédia grega não tem sido muito feliz, não só em nosso meio. Ainda que se conheçam em muitos idiomas transposições das mais significativas, em geral a tendência é apresentá-la em prosa, mas, fazendo-o, trai-se a essência do gênio e do engenho desta expressão superior da criação dramática e poética da Hélade. Mesmo no teatro, cujos recursos, sem dúvida, vão além da relação escrito-leitor, o valioso legado de vivência humana e enformação artística comunicado em termos prosaicos perde enormemente em altitude na transmissão de seu impressionante repertório de mitos, mistérios, crítica e meditação acerca da condição humana. Na perspectiva desta carência, tão acusada em nosso âmbito, e do desejo de contribuir para superá-la, Trajano Vieira tem-se dedicado a um projeto de resgate do qual resultou o presente livro. Reunindo duas traduções suas, "Ájax de Sófocles" e "Prometeu Prisioneiro de Ésquilo", e a consagrada recriação da "Antígone de Sófocles", por Guilherme de Almeida, o organizador do volume pretendeu não apenas proporcionar mais uma versão destas peças, como propor novos parâmetros para a reescritura vernácula da tragediografia helênica e para a recondução de seus textos em português às formas e à linguagem que só elas podem falar do poder expressivo e comunicativo da tragédia grega. Merece ainda destaque, neste contexto, o aparelhamento crítico e erudito que acompanha a edição, evidenciando os cuidados de que foi cercada, sobretudo no que tange à tradição literária brasileira de traduções do grego. Ela é focalizada através de Ramiz Galvão, D. Pedro II, João Ribeiro e, de um modo especial, pelo estudo de Haroldo de Campos sobre “O Prometeu dos Barões”.
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ISBN: 9788527301275
Autor: Guilherme de Almeida e Trajano Vieira
Páginas: 312
o de publicação: 1997
Peso: 0,44 kg
Dimensões: 20,5 x 15 x 1,7 cm
TRÊS TRAGÉDIAS GREGAS
R$59,90
Esgotado
TRÊS TRAGÉDIAS GREGAS R$59,90
Dizia um dos maiores poetas hebreus modernos, Haim Nákman Biálik, que ler uma obra poética em outra língua é como beijar a noiva através do véu. A única maneira de atenuar, antes do que anular, os efeitos mais distanciadores de semelhante interposição é a que fornece um texto transcriativo capaz de repor no idioma de chegada o vigor literário e o imaginário de origem. Sob este aspecto a tragédia grega não tem sido muito feliz, não só em nosso meio. Ainda que se conheçam em muitos idiomas transposições das mais significativas, em geral a tendência é apresentá-la em prosa, mas, fazendo-o, trai-se a essência do gênio e do engenho desta expressão superior da criação dramática e poética da Hélade. Mesmo no teatro, cujos recursos, sem dúvida, vão além da relação escrito-leitor, o valioso legado de vivência humana e enformação artística comunicado em termos prosaicos perde enormemente em altitude na transmissão de seu impressionante repertório de mitos, mistérios, crítica e meditação acerca da condição humana. Na perspectiva desta carência, tão acusada em nosso âmbito, e do desejo de contribuir para superá-la, Trajano Vieira tem-se dedicado a um projeto de resgate do qual resultou o presente livro. Reunindo duas traduções suas, "Ájax de Sófocles" e "Prometeu Prisioneiro de Ésquilo", e a consagrada recriação da "Antígone de Sófocles", por Guilherme de Almeida, o organizador do volume pretendeu não apenas proporcionar mais uma versão destas peças, como propor novos parâmetros para a reescritura vernácula da tragediografia helênica e para a recondução de seus textos em português às formas e à linguagem que só elas podem falar do poder expressivo e comunicativo da tragédia grega. Merece ainda destaque, neste contexto, o aparelhamento crítico e erudito que acompanha a edição, evidenciando os cuidados de que foi cercada, sobretudo no que tange à tradição literária brasileira de traduções do grego. Ela é focalizada através de Ramiz Galvão, D. Pedro II, João Ribeiro e, de um modo especial, pelo estudo de Haroldo de Campos sobre “O Prometeu dos Barões”.
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ISBN: 9788527301275
Autor: Guilherme de Almeida e Trajano Vieira
Páginas: 312
o de publicação: 1997
Peso: 0,44 kg
Dimensões: 20,5 x 15 x 1,7 cm